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AJITER no Magazine RCA
O Presidente da AJITER, Décio Santos, foi o convidado do programa “Magazine RCA”, do Rádio Clube de Angra, que foi para o ar no passado dia 26 de Junho.
Na entrevista, conduzida pela Jornalista Humberta Augusto, foi feita uma retrospectiva com carácter geral acerca da AJITER e da sua actividade no presente ano 2010, com especial ênfase para a recente concessão do Estatuto de Utilidade Pública bem como abordadas algumas questões acerca de política de juventude e das questões relacionadas com a juventude nos Açores.
A AJITER – Associação Juvenil da Ilha Terceira viu declarada recentemente a sua utilidade pública, um reconhecimento que deve encarar, como presidente da Direcção da AJITER, com orgulho mas também com alguma responsabilidade?
Décio – Para nós é um reconhecimento, mas acima de tudo uma responsabilidade, na medida em que, se até agora se esperava pouco de uma instituição como a nossa, a verdade é que a partir do momento em que o estado declara uma dada associação como instituição de utilidade pública, aí há que esperar seguramente bastante.
O que é que esta declaração de utilidade publica traz de contrapartidas para vocês?
Décio: É sobretudo uma questão de credibilidade pública e de projecção, exactamente na medida em que nós também necessitamos de nos sentir estimulados para esse redobrar de sentido de responsabilidade.
Uma projecção que a comunicação social tem lançado, recentemente, foi a campanha que a AJITER está a coordenar - a Campanha “Help – Por Uma Vida Sem Tabaco”.Qual importância desta iniciativa e de serem vocês a gerir esta campanha de âmbito europeu cá nos Açores?
Décio – A importância desta iniciativa surge de acordo com os seus princípios e os seus objectivos, como a prevenção do tabagismo, que é um dos piores problemas em termos de saúde pública com que nos deparamos a nível internacional, a nível mundial e também a nível regional.
Porque nasceu essa vontade?
Décio – É uma forma de darmos cumprimento aos nossos objectivos e ao vivermos numa ilha da Região Autónoma dos Açores, devemos estar enquadrados na Europa. Estamos a promover esta campanha em conjunto com instituições dos 27 países da União Europeia.
Que dados é que tem sobre este problema?
Décio – Os dados apontam para uma tendência de semelhança à problemática a nível europeu. Os problemas dos jovens açorianos são iguais aos dos jovens europeus em termos globais. Os números e questões mais técnicas estão no site da campanha que é o www.help-eu.com.
As solicitações que vos chegam, através dos vossos associados e das populações juvenis com quem trabalham, referenciam o tabagismo como algo que querem resolver?
Décio – O tabagismo e não só. As solicitações têm vindo a aumentar cada vez mais, o que é normal; é uma consequência em sentido positivo dessa tal credibilidade, dessa tal afirmação pública que nós temos vindo a registar.
Relativamente às relações hoje em dia, embora não sermos especialistas, existe menos compromisso nas relações?
Décio – Exactamente, existe alguma dificuldade e isso entronca noutro domínio, a questão da violência entre pares e no namoro, que é a raiz para a violência doméstica.
Se entrarmos na raiz específica e na causa de muitas dessas problemáticas verificamos que, segundo os números recentemente divulgados e segundo o estudo realizado pela DRIO, são bastante más. Muitas das vezes é preciso ter capacidade de olhar para a raiz, e a raiz começa no namoro e na gestão dos relacionamentos, que ocorrem cada vez mais cedo.
Porque é que estas temáticas hoje em dia são referenciadas? Presumo que há cerca de 20 anos atrás não se falava na violência no namoro, a violência doméstica era algo que não era tão mediático.
Décio – De forma alguma, digamos que os problemas sociais tendem a acompanhar os tempos. Há 20 anos atrás teríamos outro tipo de problemas, éramos um jovem país saído de uma revolução, em que as problemáticas eram outras.
Estamos menos preparados para os relacionamentos hoje em dia?
Décio – Não tem a ver com a questão de estarmos menos preparados, mas sim com o facto de encaramos os relacionamentos de outro modo diferente de há 20 ou 30 anos atrás. Houve uma evolução de paradigma, uma novidade na óptica da promoção da igualdade, que está relacionada com um tema tão actual, o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Há 20 anos atrás não poderíamos falar disso livremente como estamos aqui a falar, nesse sentido o nosso país deu um passo em frente e acho que isso deve orgulhar todos os portugueses.
Que outras temáticas, para além de saúde sexual e saúde nos relacionamentos, são importantes para a AJITER?
Décio – Questões relacionadas com a pobreza, por exemplo este ano assinala-se a nível europeu o “Ano Europeu do Combate à Pobreza e Exclusão Social”. A AJITER irá promover a nível regional uma campanha destinada a assinalar o “Ano Europeu da Luta contra a Pobreza e Exclusão Social” que deverá decorrer em todas as ilhas do arquipélago e que resulta desta fase de maturidade que a AJITER atravessa. A AJITER terá a competência de assinalar a nível regional a componente destinada à sociedade civil das comemorações que serão de responsabilidade governamental.
Essa campanha já tem data?
Décio – Esta campanha vai começar no próximo mês e deverá ir até ao ano que vem. Será uma campanha marcada por nove iniciativas, cada uma dessas iniciativas em cada uma das ilhas, destinadas a reflectir a pobreza. O combate à pobreza é a raiz da evolução da nossa sociedade e aqui entroncamos noutras temáticas como por exemplo o emprego.
De que forma querem materializar esta campanha?
Décio – Queremos envolver directamente jovens, queremos trabalhar para grupos específicos, implicar os jovens na reflexão e naturalmente temos que trabalhar de outra forma, com uma outra metodologia.
Os métodos de educação não formal assumem um grande papel e nós consideramos que seria fundamental constituir uma bolsa de formadores e facilitadores, que tem como objectivo expandir a rede de recursos humanos da AJITER.
A vossa actual bolsa de formadores e facilitadores é constituída por quantas pessoas?
Décio – Por cerca de 25 jovens entre os 18 e os 35 anos, com grande diversidade do ponto de vista das suas formações; um recurso de grande qualidade.
Portanto pretende-se partir da própria experiência da pessoa com alguma orientação do que se pretende, deste caso, por parte da AJITER?
Décio – Exactamente, porque nós consideramos que com este grupo de pessoas nós conseguimos ter novos colaboradores que nos poderão ajudar a promover actividades e poderão vir a ter uma importância significativa do ponto de vista da definição do planeamento das estratégias e do trabalho da AJITER.
Terá um efeito multiplicador nas ilhas todas?
Décio – Claramente a actividade da AJITER – Associação Juvenil da Ilha Terceira, direcciona-se sobretudo à ilha Terceira, todavia e tendo em conta o plano de actividades que temos este ano em curso, claramente percebe-se uma vontade de chegar mais longe, uma vontade de intervir não só na ilha Terceira mas também com a restante sociedade açoriana, promovendo assim, um novo espírito da açorianidade.
O cartão AJITER que já tem um ano de existência, já fez o seu primeiro aniversário. Na prática conte-nos que facilidades traz-nos este cartão AJITER?
Décio – O cartão AJITER no fundo é a reinvenção de uma ideia, basicamente parte de um princípio que é uma necessidade. A AJITER percebeu que precisava chegar mais longe e a mais jovens como forma de potenciar a sua actividade e era necessário conseguir estimular esse novo envolvimento.
A nossa actividade por si só sempre cativou alguns, mas nós achamos que muitas das vezes é necessário actuar com uma base criativa e nesse contexto, o que fizemos foi repensar o conceito de cartão jovem a nível nacional, utilizamos esse conceito e adaptamos à ilha Terceira. O cartão não é um processo rígido mas um processo de continuidade e aquilo que fizemos, tendo em conta o leque que nós tínhamos, foi colocar isso sob a forma de cartão.
Gostava de realçar a componente social, ou seja de solidariedade, na medida em que no valor que é pago pelo cartão AJITER, uma percentagem reverte para uma instituição de solidariedade social. No primeiro e segundo ano foi o Núcleo Regional dos Açores da Liga Portuguesa conta o Cancro, no terceiro ano faremos uma reavaliação mas à partida o destinatário irá mudar.
O desporto também é uma área que a AJITER aposta, relembro da 6ª edição do Futsal que também inclui a campanha antitabágica. Quando é que irá decorrer?
Décio - O torneio VI Futsal AJITER Help, que começou por se chamar nas outras edições simplesmente Futsal AJITER , surge agora integrado na campanha Help, como uma forma de dar maior visibilidade à campanha e irá decorrer de 14 a 27 de Julho, sendo que as inscrições ocorrem até ao dia 30 de Junho.
Gostava de realçar o seguinte facto, o Futsal AJITER é para todos e para todas, ou seja, o Futsal AJITER surge apenas com o princípio de promover a prática desportiva e comportamentos saudáveis.
Neste momento a escolha pelo Futsal tem a ver com o facto de ser uma modalidade em crescimento na região?
Décio – Quando o Futsal AJITER começou, este praticamente não tinha expressão na região e de facto nós consideramos que era uma aposta interessante e naquela altura apostamos. Depois registou-se um grande crescimento do fenómeno e da implantação do futsal. É uma actividade cada vez com maior implantação e que gera cada vez mais interesse, por isso faz todo o sentido que nós a assinalemos. Outro aspecto importante é o facto do Futsal AJITER ser, junto dos mais jovens, o maior cartão de visita da AJITER.
Falamos de autarquias, como é que têm sido as parcerias que a AJITER tem acertado com ambos os municípios e também com outros municípios dos Açores?
Décio – Felizmente as parcerias têm sido bastante produtivas, naturalmente que houve aquela fase inicial em que ninguém nos conhece, em que algumas coisas vão sendo mais difíceis, mas há medida que o trabalho foi crescendo foi havendo uma grande receptividade tanto por parte de Angra do Heroísmo como da Praia da Vitória.
As verbas são suficientes para os vossos projectos ou há sempre algo que fica para trás e tem de ser muito bem gerido?
Décio – Naturalmente que nós pretendemos fazer sempre mais do que aquilo que fazemos e nesse sentido as verbas não são suficientes, mas não pretendo queixar-me das verbas que nós temos.
O seu mandato termina em 2013?
Décio – Exactamente, em 2013. Sou o sócio fundador da AJITER, fiz parte dos elementos fundadores tinha eu 18 anos, portanto estou desde o início e espero que este seja o meu último mandato.
Há que dar lugar aos novos e considero que estes três mandatos foram essenciais numa base de nascimento, crescimento e maturidade. Neste momento começam a criar-se condições para que a AJITER possa dar lugar aos novos e para que também, sobretudo a nível pessoal, eu me possa dedicar a outros projectos.
Até 2013 qual é que é, para além destes projectos que já referimos, qual é que é aquela iniciativa que não quer deixar de fazer até terminar este seu ultimo mandato?
Décio – Quanto a nós o grande objectivo para o final e para os últimos dois anos do mandato será estabelecer e promover uma maior intervenção da AJITER numa resposta às necessidades dos jovens cada vez mais evidente, relacionada com o mundo empresarial, com o emprego, e cuja intervenção se baseará muito na educação, na formação, uma intervenção estruturada e de base que neste momento está a começar a ser planeada e realizada.
Esta será a terceira grande marca que eu gostaria de deixar quando sair da AJITER, uma estrutura criada com capacidade para seguir os anos que hão de vir e de facto uma estrutura que seja importante e que cada vez mais se afirme como relevante para a vida dos jovens açorianos.
Sábado, dia 26 de Junho de 2010
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